por Katia Matunaka Keiko Matunaga - Coordenação Pedagógica - Escola Viva
E qual é a importância da arte na Educação Infantil? Se perguntássemos para as pessoas sobre qual é o papel da escola na sociedade, certamente muitos responderiam que a escola é lugar de aprender a ler e escrever, aprender a fazer contas e aprender sobre as descobertas e invenções da humanidade. E de fato na escola se faz tudo isso.
Mas a escola é também lugar de brincar, de experimentar, de descobrir e de aprender a conviver. Em especial durante a Educação Infantil, as brincadeiras são parte fundamental das atividades educacionais, pois reforçam algo que é próprio da maneira das crianças de se relacionarem com o mundo: o desejo de investigar e de conhecer aquilo que está à sua volta por meio de experiências vividas.
A brincadeira, a ludicidade e a experimentação das linguagens da arte ajudam a despertar o interesse. Convidam as crianças a desenvolver criatividade e sensibilidade. O livre desenrolar da imaginação faz parte da poética da primeira infância, pois motiva as crianças a experimentarem ideias, sentimentos e sensações. É a arte na Educação Infantil.
Esses encontros com o universo imaginário podem acontecer a partir de histórias e narrativas literárias. Elas fazem as crianças sentirem - alegria, raiva, frustração ou surpresa - quando acompanham as personagens e suas aventuras. Podem acontecer a partir de músicas e cantigas, pois provocam o riso e mostram como os sons são capazes de despertar emoções.
A descoberta da arte na Educação Infantil
As atividades propostas com tintas, papéis, pincéis e riscadores, a colagem, a construção, a modelagem e a costura também são formas de promover esses encontros com a imaginação. As crianças têm a oportunidade de explorar e perceber que seus gestos produzem marcas e podem representar o mundo. E que uma mesma coisa pode ser representada de infinitos modos distintos, seja no papel ou com folhas coletadas do jardim. A partir de atividades educacionais, a criança descobre a arte na educação infantil.
A experimentação de novos sentimentos também é despertada pelo frio na barriga que as crianças sentem quando estão aprendendo a pular corda, ainda pegando o jeito e desenvolvendo coordenação motora. Ou pelo simples brincar na terra e no tanque de areia, que as leva a descobrir novas sensações. Sensações que nascem tanto por meio do toque e das texturas, quanto no desafio de compartilhar o espaço com os seus pares e respeitar as regras de convivência.
Em todos os casos, trata-se de oferecer às crianças situações que possibilitem a exploração das diferentes linguagens e suas formas expressivas. Favorecendo que conheçam melhor a si mesmas e aos outros. Situações que, portanto, ajudam a perceber e identificar seus próprios sentimentos e a desenvolver capacidades comunicativas.
A arte na rotina escolar
Mas, para isso, não basta que as atividades lúdicas e artísticas estejam restritas a cinquenta ou sessenta minutos semanais. A arte deve fazer parte da rotina escolar em variados contextos e possibilidades de proposta pedagógica – e não apenas nas chamadas “aulas de artes”.
É preciso que os alunos e alunas sejam frequentemente estimulados a pesquisar e inventar a partir da arte. Que encontrem nela também maneiras de responder aos seus problemas e questionamentos. Isso porque o processo infantil de descoberta do mundo não ocorre por meio da segmentação em disciplinas. Muito pelo contrário, as crianças utilizam tudo aquilo que conhecem e têm à sua disposição para observar, conhecer e criar.
Dessa forma, a construção do raciocínio investigativo e científico acontece ao mesmo tempo em que se constrói o pensamento sensível e criativo. Um influencia e colabora com o outro, mutuamente. O desenvolvimento de habilidades e competências, mais do que de conteúdos específicos (assim como sugere a Base Nacional Comum Curricular), potencializa-se então pela interação dos saberes e dos diferentes campos de conhecimento.
A arte na Escola Viva
É por isso que, na Escola Viva, as brincadeiras dentro da escola não só são possíveis, como são desejáveis. Em especial durante a Educação Infantil, as atividades lúdicas e artísticas compõem as pesquisas desenvolvidas, em consonância com outros aprendizados.
Ao invés de propor “projetos de artes” isolados, nossos profissionais polivalentes sugerem propostas integradas, em que diferentes olhares contribuem para a compreensão de um mesmo assunto, ao mesmo tempo em que colaboram para o desenvolvimento socioemocional das crianças, individual e coletivamente.
Para isso, o olhar docente atento e preparado faz toda a diferença. A transformação da experiência vivida em conhecimento depende do planejamento e da condução das atividades por parte dos professores e professoras. A experimentação artística possibilitada pelo corpo ganha sentido com a construção de significados, produzidos na reflexão estimulada pela escola.
Boas propostas pedagógicas
O que faz de atividades artísticas boas propostas pedagógicas não são apenas os materiais e as referências mobilizadas, mas também boas perguntas. Questionamentos que instiguem as crianças a continuarem curiosas, inventivas e criativas. Questões que as ajudem a perceberem quem são, do que gostam e o que as mobilizam. Mas como a escola pode oferecer isso?
Este será o tema de nosso encontro na quinta-feira, dia 24/06, às 19h. Você está convidado para refletir sobre a poética da primeira infância, ao lado da professora Ana Angelica Albano, no evento “Onde tudo começa? – A escola e a família no centro do desenvolvimento infantil”, organizado pela Bahema Educação e pelo Centro de Formação da Vila.
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