Escola é lugar de brincar!

Espaços educativos, construtivismo e a livre expressão na aprendizagem infantil

No Dia Mundial da Infância, Kátia Keiko Matunaga, coordenadora da Educação Infantil da Escola Viva, reflete sobre a importância de brincar na escola como um direito das crianças.

Brincar é uma prática social, assim como ler, escrever e calcular. É comum que, dentro dos muros da escola, essas práticas sofram distorções. No caso da linguagem, por exemplo, quantas vezes não testemunhamos um belo texto literário ser transformado para fins didáticos e perder toda a sua beleza poética?  

O mesmo pode acontecer com o brincar, quando a escola enxerga a brincadeira apenas como ferramenta e recurso para a aprendizagem e despreza toda a sua potência como linguagem, expressão e cultura da infância.

E qual é o espaço dessa brincadeira-linguagem no universo escolar? Quanto tempo nossas rotinas oferecem para o brincar livre?  

E, afinal, é papel da escola preservar o lugar e o tempo da brincadeira espontânea e livre? 

Sim. Em um tempo que sobrecarrega as crianças de afazeres, que exige que, o tempo todo, elas produzam e respondam a demandas, parece urgente que preservemos o lugar e o tempo da brincadeira espontânea e livre nos nossos quintais e nos nossos recreios. Em um tempo de agendas cheias, de doenças – antigamente só de adultos, como obesidade, hipertensão, altos índices de colesterol – ameaçando nossas crianças, em um tempo em que para as crianças dos contextos urbanos é cada vez mais difícil brincar ao ar livre, é, sim, papel da escola dar oportunidade para que as crianças brinquem. 

O quintal, onde a natureza é presente (com verde, terra, sementes, pedrinhas, bichinhos de jardim e pássaros), e a brincadeira livre que nele acontece são respiros para a infância contemporânea dos grandes centros. 

É nesse tempo/espaço educativo que a relação entre pares se estabelece e que os encontros e os conflitos ocorrem. E, quando isso acontece, as crianças buscam suas próprias soluções. A abordagem construtivista preza por esse espaço de construção e descoberta pela própria criança, no centro de seu aprendizado. 

Crianças de idades diferentes circulam, interagem, sem a mediação do adulto o tempo todo. O quintal, ou o pátio, ou o parque, como é chamado em algumas escolas, é uma microssociedade, onde o respeito às regras do convívio social precisam ser respeitadas para garantir o brincar de todos. 

E qual é o papel do professor no desenvolvimento infantil?

Criar contextos para que as crianças possam brincar e se relacionar com liberdade e segurança. Estar presente para ver e ouvir o que seus alunos contam de si quando brincam: quais são os seus interesses, as suas habilidades e as suas pesquisas. 

É também nesse lugar que o patrimônio cultural da infância perpetua-se e transforma-se. Nos quintais, se aprende a pular corda e Amarelinha, a brincar de Corre Cutia, Barra Manteiga, Mamãe Polenta e tantos outros jogos tradicionais além dos inventados pelas próprias crianças a cada época.

O papel do professor é, portanto, também o de, pela tradição oral ,ensinar os jogos e brincadeiras do seu próprio repertório pessoal e o de fazer circular os repertórios de seus alunos, ampliando esse acervo cultural próprio da infância. 

Nesse território democrático, chamado quintal, o exercício do ambiente público é vivido: os espaços são compartilhados, o jogo de futebol precisa negociar com o de vôlei, com o faz de conta ou com o pular corda. É preciso respeitar fronteiras no tanque de areia para que as construções, buracos e bolos de aniversário tenham lugar garantido. 

No quintal, as crianças exploram, investigam e criam relações. O corpo está em movimento, desafiado a vencer obstáculos, convidado a exercitar aptidões e satisfazer desejos: de subir mais alto, de correr mais rápido, de pendurar-se, de escalar. Ou, quem sabe, desejos de pausa e contemplação, de refúgio e privacidade. 

É nesse espaço educativo que nossos alunos podem expressar-se de forma mais livre e genuína. O quintal é lugar de encontros, de curiosidades, de convivência, da pesquisa, o lugar onde a infância pulsa e se apresenta para que não nos esqueçamos que nossos alunos são crianças. 

Que em breve possamos estar de volta, em segurança, aos nossos espaços escolares. Para lembrar, sobretudo em tempos tão difíceis, que a infância tem uma cultura própria, um tesouro que nos cabe guardar e preservar. Em cada cantinho, em cada monte de areia, em cada jogo, em cada descoberta que temos o privilégio de presenciar.

Quer saber mais sobre a Educação Infantil da Escola Viva? Entre em contato e venha nos conhecer!

Por Kátia Keiko Matunaga

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