VISITA AO SESC 24 DE MAIO E VIADUTO DO CHÁ - 5º ANO NO CENTRO DE SÃO PAULO

 
“Podemos caminhar na água?“ 
 
Foi tirando meias, sapatos, pudores e arregaçando as calças e as vontades que nossos alunos tomartam posse do recém-inaugurado SESC 24 de maio no Centro de São Paulo. Um projeto de Paulo Mendes da Rocha, que propõe uma audaciosa intervenção em uma antiga loja de departamentos, transformando os espaços internos a partir de uma estrutura existente e criando uma nova estrutura central para suportar a piscina.
 
O arquiteto (Paulo Mendes da Rocha) costuma dizer: "O projeto ideal não existe, a cada projeto existe a oportunidade de realizar uma aproximação." O estudo do meio com os estudantes de 5º ano nos trouxe a plena compreensão dessa hipótese. Para falar sobre cidade e transformação de espaço, é preciso aproximar-se, perceber as bordas, as beiras e as trincas. A percepção de um bom espaço, cidade ou obra arquitetônica se dá pela apropriação e aproximação. E quando falamos de bom, estamos falando do que nos traz reflexão e convivência.
 
A visita ao centro aconteceu em datas diferentes, períodos diferentes (matutino e vespertino), luzes, sombras e grupos diferentes (escolar e urbano). O resultado dessa diversidade de camadas nos ofereceu reflexões e vivências enriquecedoras e plenas de significados. “Porque és o avesso, do avesso, do avesso, do avesso”, já cantava Caetano. 
 
As impressões começaram a se tatuar durante a exposição do novo Sesc: São Paulo não é uma cidade e garantiram uma possibilidade plural de leituras do centro de São Paulo, com suas exuberâncias na arte, arquitetura, urbanismo, comércio, indústria e lugares emblemáticos. A mostra é apresentada em formato de almanaque, sem linearidade cronológica ou espacial. São vários núcleos deliberando simultaneamente sobre os ciclos econômicos, políticas e oligarquias, especulação e desabrigo, apagamento e efervescência cultural, entre outros tantos cenários que compõem nossa megalópole.
 
Por entre rampas, concreto, vidros e espelho d´agua, a arquitetura modernista de Paulo Mendes da Rocha coloriu seus vãos com a ocupação das crianças percorrendo o espaço. O edifício propõe uma experiência múltipla, mesclando sol e sombra, antigo e novo, cheio e vazio e possibilitando múltiplas camadas de aprofundamento sobre nosso eixo temático: Transformações do espaço!
 
Deixar o Sesc de 2017, caminhar por entre camelôs, sentir a rugosidade dos calçadões de 1974, observar as curvas da Galeria do Rock de 1963, perceber a suntuosidade de Ramos de Azevedo e seu Theatro Municipal de 1911, contemplar do Viaduto do Chá de 1892, são movimentos que garantem aos nossos alunos o impacto necessário para a percepção desse centro efervescente de São Paulo de tantas épocas. 
 
De lá pra cá ou de cá pra lá do Viaduto, testemunhamos a adequação da indústria automobilística, o poder do desenvolvimento econômico, a pluralidade de linguagens urbanísticas. Com olhos investigativos seguimos em busca dos registros fotográficos de outrora ou propomos outra abordagem sobre o território cidade? Não importa! São infinitas as variáveis de contemplação que consolidaram essa região central como o coração simbólico de um dos maiores conglomerados urbanos do planeta.
 
E, sim! Respondendo à pergunta inicial: em São Paulo podemos caminhar na água, no vento, nos vãos e nas lacunas. Podemos nos aproximar! 
 
Carol Mennocchi - Sala de Leitura F1 
31.10.17