O dia 8 de março na Escola Viva: Vamos falar sobre Gênero?

 

 

Neste ano, na Escola Viva, a chegada do dia 8 de março trouxe com ela um convite para que todos os alunos, professores e funcionários do F2 participassem de uma conversa sobre igualdade de gênero, respeito, feminismo e a realidade da sociedade em que vivemos.

 

Organizada pelo coletivo Vamos falar sobre gênero? - formado por alunos de 7º a 9º ano, que promovem ações que envolvem as relações sociais, culturais e políticas entre meninas/mulheres e meninos/homens - a manhã começou com uma conversa, dentro das salas de aula, com os alunos de 6º a 9º ano misturados. Nessa conversa, sempre mediada por duplas - um professor e uma professora -, questionou-se sobre as razões de usar um dia como o Dia Internacional da Mulher para discutir questões como essas e sobre as diferenças conceituais entre gênero, sexo e orientação sexual.

 

Depois, todos reuniram-se na quadra para expor opiniões e pontos de vista sobre o assunto, com o “microfone aberto” a quem quisesse falar.

 

Mais uma vez, um dia que ficou para a história da Escola Viva e da vida de cada um dos envolvidos, que - com certeza - chegaram um pouco mais perto do seu propósito: transformar, de alguma forma, o mundo ao seu redor em um lugar mais justo e igualitário para homens e mulheres.

 

Melhor do que contar o que aconteceu naquela manhã, é exemplificar com alguns trechos das muitas colocações valiosas e importantíssimas que foram feitas ali.

 

 

 

 

“Menina, garota, mulher. Menino, garoto, homem. São palavras diferentes, mas têm o mesmo significado: seres-humanos. Ou pelo menos assim deveria ser…

‘Senta direito, menina! Coloca um vestido, menina! Passa uma maquiagem neste rosto pálido, menina! Se depila, menina! Para de jogar futebol, menina! Para de ser, menino menina!’

‘Para de ser menino’. Para de ser menino? Que roupa é roupa de menino? Que jogo é jogo de menino? Por que só menina pode passar maquiagem? Quem foi que definiu tudo isso? (...)’

A Branca de Neve desmaiou, e o príncipe encantado foi acordá-la com um beijo de amor verdadeiro. E se a Branca de Neve acordasse o príncipe? Seria menos romântico? Seria menos verdadeiro? E se a Rapunzel escalasse a grande torre se segurando nos longos cabelos do príncipe e chegasse ao topo para salvá-lo? Seria menos heroico?

Há tantos ‘e se’s’ que não deveriam existir... Preconceito, o nome já diz: é o que definimos antes de saber de verdade. Mas alguém realmente sabe antes de realmente saber?

O que nos define mulheres? E o que nos define homens? O que nos define humanos? O que nos define culpados? E o que nos define vítimas? O que nos define machistas? E o que nos define feministas? O que nos faz fazer? O que nos faz saber antes de realmente saber?

Levanta a mão quem já se sentiu oprimido e levanta a mão também quem já se sentiu opressor! Eu não vou julgar, porque também levantaria a mão nos dois!”

 

(Texto escrito pela aluna Isabela Valente, 9º ano)

 

 

 

 

“Eu sempre tive dificuldade para fazer amigos (meninos) porque, segundo a sociedade, nós temos que – necessariamente - jogar futebol, o que eu não fazia, e ainda não faço.

Eu acabei me adaptando para ficar com as meninas. E isso fez com que eu sempre estivesse vendo casos de machismo. Eu fui julgado a minha vida inteira, por ser amigo das meninas. (...)

Eu fico com muita raiva porque um dia uma pessoa aparentemente maldosa e que provavelmente se sentia superior aos outros, inventou que os homens, são superiores as mulheres.

As mulheres sempre são prejudicadas pelos homens machistas. Você sabia que a cada cinco mulheres, uma é estuprada? E o pior, isso é uma realidade muito antiga que ninguém se toca que é trágica.

Eu não consigo criar nenhuma lógica na minha cabeça que me explique, por exemplo: por que os homens são pagos 3 vezes mais do que as mulheres? Por que alguém acha que as mulheres são mais fracas? E porque a expressão: ‘Cara, que mico, você foi humilhado por uma menina’. (...)

O fato de que eu passei a maior parte da minha vida com meninas, me ensinou algo: mesmo não sendo uma menina, eu sei que é frustrante ter alguém que te humilha pelo simples fato de serem mulheres, então, repensem seus atos, porque pequenos atos de homens, machucam muito as mulheres“

(Trechos de textos do aluno Bruno Zicman, do 6º ano)

 

 

 

 

 

“(...)

e falo sobre a opressão 

de todos os dias 

sobre os olhares 

as palavras gritadas 

as ameaças

todos os dias vividas 

sofridas e temidas 

os medos incontroláveis 

e tudo que deixamos 

de fazer e viver 

por sermos mulheres 

tudo isso que nos diminui 

e nos encolhe 

até que possamos 

caber no bolso do homem 

que, inseguro, quer nossa posse 

mas assim nós estamos seguras 

pois nesse mundo

mulher livre não sobrevive 

não somos só nós 

mulheres que sofremos 

os homens sofrem também

e chore, sinta, mostre 

seja forte 

e com a gente 

encare e grite na cara 

da podridão de nossa sociedade

(...)“ 

(Trecho de poema escrito pela aluna Ana Clara Tolezani, do 9º ano)

 

 

 


“(...)

Neste dia tão feliz,
O que a gente ouve é ‘não te bato, não sou covarde’
Vem cá e me encara, olho no olho de verdade!
Você não me bate porque eu sou mulher,
Mas não seria pelo respeito e por um pouco de maturidade sequer?

Em alguma religião eu sou fruto da tua costela,
Mas não é você que saiu do útero dela?
Eu falo tudo isso e depois tem gente que nem acredita,
Ainda vem falar comigo me xingando de feminista?
Para, me escuta, feminismo não é o contrário do machismo,
O oposto dele é inteligência,
É a igualdade de gênero.

Ei, todos vocês, eduquem suas filhas,
Para estudar, viajar
E não pra buscar marido!
Homem, me escuta, nem tenta me calar, 
Pois você não anda na rua com medo de alguém te estuprar.

Ei, machista, só não pensa em me ferir,
Que sangrando já estou, de tantos maus olhares que recebi!
Então para, cara, nem vem me abusar,
Não é minha saia curta que te deixa me sexualizar!
E essa sua mente suja, sem noção e tão vazia, 
Vem cá e tenha paciência pra ouvir meu dia a dia!
Então para, cara, chega de violência,
Tira suas mãos de mim e coloca na consciência!”

(Trecho de poema escrito pela aluna Isabella Antoni, do 9º ano)